Não gosto da massificação. Mas também não consigo viver sem desejá – la. Ter certeza de quem eu sou, estando sozinha em casa com o cabelo sujo e casaco sujo de molho ou numa festa com inúmeros convidados não é nada fácil, em nenhuma das situações. Eu cada vez me acostumo mais em estar sozinha. É tão mais fácil assim. O que as pessoas fazem ou deixam de fazer não me atingem tanto. Ajo mais por mim. Pelo cheiro nem sempre tão agradável que sinto emanar do meu corpo, ou pelo cabelo que mesmo problemático sempre esteve comigo. São tão meus quanto ou alguém pode ser meu. Não, eles são mais, porque sempre estiveram comigo. Goram esses os braços que sempre acompanharam meus passos. Até a minha reacção de choro. Acredita que em situações de pressão, mesmo que não esteja nervosa preciso chorar? Sim, é uma recorrência confortável para mim, não sei reagir de outra maneira de modo que pareça natural e compatível comigo. Chorar faz parte do processo de cura das minhas insatisfações. Também quando a situação está muito tranquila me incomoda. Parece que minha vida está estagnada e é uma merda. É assim que eu sinto. Não gosto de acreditar em mim talvez. Talvez porque exija atitudes que não quero reconhecer que preciso tomar. Ninguém pode entender mais meu psiquismo do que eu. Só me apetece dormir. Concentração.Grande merda. Não quero falar com ninguém mais, não quero fazer mais nada
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
sábado, 30 de outubro de 2010
Jantar
Pudera eu seguir – te as escuras
E sentir tuas palavras emanarem o tímido sabor
Que sinto nos dias quentes
O teu cheiro de Europa, perdido nas boémias
Premissas nunca foram necessárias
E nunca precisaríamos de história. Nós, amantes da arte?
Nós, vermes que para terra hão de voltar
Com suas loucuras imaginadas
E palavras proibidas
Nossa piada particular
Sinto – me tão insegura, aqui nos meus próprios anseios
E milhares de vícios que não são meus
Porque eu sou o espírito da noite, rodeado de sonhos, ansiosos por dispersar – se
Eu, sou a estrutura imensurável de meus caminhos tortuosos
Eu não amo nem desamo
Admiro os milésimos de segundo, e a perfeição das sequência do mundo
Admiro os pequenos actos irreconhecíveis
E os prazeres dispersos
E a ânsia de terminar, o que nunca começou
Constipação
Isto poderia ser um artigo de contestação qualquer, ou um estado de espírito, mas não, é mesmo meu estado de saúde
Planejei milhares de possibilidades para este fim de semana
Tudo culminou em muito sono, muita moleza, incapacidade de fazer qualquer coisa
Mas valeu a pena, comida não me faltou, vinho do porto ao fim do dia também não
(quer dizer, poderia ter um bocado mais, mas não interessa
E poderia ter alguma caixa de tabaco aberta também, mas não interessa)
Interessa é que preciso me recuperar logo para passar a semana, para viver ao máximo a semana
Gosto mesmo é de estar aqui, no meu quarto, cheia de ideias e possibilidades, cheia de amor por mim mesma,
Cheia de esperança no amanha
Eu gosto é desse ar bêbado dos dias frios
Gosto de sentir o amor perfeito nas minhas entranhas
Gosto de sonhar com os agitos da capital
E pensar em Hollywood a todo vapor
Gosto de pensar no meu amanhã, tanto como hoje, como tudo o que tinha
Gosto de viver por partes e viver por inteiro
Gosto de amar os meus momentos e aquilo que é só meu
E eu não me importo para onde o tempo vai me levar
Porque não importa
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
que o momento é tudo o que tenho
e sou, prisioneira das convenções sociais,
como era suposto
um sentimento constante de insatisfacação
lá no fundo sempre desponta
e eu não quero conselhos
quero dormir como uma sedentária
quero retroceder a mim mesma
quem vai dizer que estou errada,
quem vai dizer como eu deveria ser
para onde eu poderia ir?
se em qualquer lugar tem de ser do meu jeito
as paixões tem de ser como sonho
a vida tem de ser simples, como voar
nada além disto me agrada
estes momentos, que desejo desaparecer
não é suficiente viver
nem fingir
e isto é tudo o que me agrada